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Atol das Rocas 2016

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O projeto de microchipagem de tartarugas marinhas 2016 chegou ao fim.

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Todas as numerações dos 60 microchips, utilizados no período reprodutivo de 2016, foram enviados para o Inventário de marcação de Tartarugas Marinhas do The Archie Carr Center for Sea Turtle Research (ACCSTR) na Universidade da Florida. Esse inventário está a disposição para qualquer indivíduo que queira relatar o encontro com uma tartaruga marcada.

Panorâmica

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A BW Consultoria Veterinária gostaria de deixar um agradecimento especial aos pesquisadores voluntários que fizeram parte desta expedição:

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A expedição neste ano nos apresentou algumas novidades, como o baixo número de fêmeas desovando, mas as condições de trabalho as vezes não é novidade, de madrugada no escuro, muitas vezes na chuva…. obrigada pelo excelente trabalho!!

Além disso, nossos sinceros agradecimentos a: Eduardo Cavalcante MacedoMaurizélia Brito

Vocês foram fundamentais nesses meses de trabalho…

E, para finalizar nosso querido patrocinador:

IGUI

Esse projeto não sairia do papel se não fosse a sua ajuda financeira!

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» A EXPEDIÇÃO 2016 – clique e leia

A expedição de microchipagem de tartarugas marinhas na REBIO Atol das Rocas 2016 retornou com força total!!

O projeto de marcação de tartarugas marinhas com microchip no Brasil teve seu retorno no mês de fevereiro.

Este é um projeto pioneiro que além de utilizar uma nova estratégia de marcação para as tartarugas marinhas, também vai poder avaliar a saúde dos animais numa das principais áreas de reprodução de tartarugas-marinhas no Brasil, a reserva biológica (ReBio) do Atol das Rocas.

Porque ele é considerado novo? Por que atualmente as tartarugas marinhas no Brasil são marcadas apenas com anilhas metálicas que vão se perdendo ao longo dos anos, deixando nos animais apenas cicatrizes e não os identificando corretamente. Já os microchips, que são utilizados com frequência internacionalmente, por serem introduzidos nos animais não são perdidos facilmente. Eles permanecerão na tartaruga até o final de sua vida, necessitando apenas de uma só aplicação.

Outro objetivo deste projeto é que as informações se tornem parte de estudos maiores como dissertações de mestrados e teses de doutorados, pois abrange várias instituições de ensino nacionais como internacionais, como: Universidade de São Paulo, Universidade Federal Rural de Pernambuco, e apoio de pesquisadores da University of Florida e Kingston University.

O projeto é realizado sob a licença do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (Sisbio) número 40636-3, e tem como patrocinadores a empresa: IGUI Piscinas, além de contar com o apoio da Olé Web Comunicação, coordenação da BW Consultoria Veterinária e está sendo executado em parceria com a Reserva Biológica Atol Das Rocas/ ICMBio/MMA.

Todas as numerações dos 108 microchips, utilizados no período reprodutivo de 2015, foram enviados para o Inventário de marcação de Tartarugas Marinhas do The Archie Carr Center for Sea Turtle Research (ACCSTR) na Universidade da Florida. Esse inventário também está a disposição no site da BW para qualquer indivíduo que queira relatar o encontro com uma tartaruga marcada.

Neste ano, as equipes já estão formadas, e todo mês uma dupla de pesquisadores estará relatando como é a realização da microchipagem além de descreverem como é o dia-a-dia no único Atol do Atlântico Sul.

Assistam o vídeo abaixo para relembrarem da temporada de 2015!

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Mais uma vez não podemos deixar de agradecer nosso patrocinador, a iGUi Piscinas, por todo o apoio na realização desta expedição!

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» 1º DIÁRIO DE BORDO – De 07 a 13/02 – clique, leia e veja as fotos

Começamos essa semana, com o nosso primeiro diário de bordo!

Neste ano, as equipes já estão formadas e todo mês uma dupla de pesquisadores estarão relatando para vocês como é a realização da microchipagem além de descrever como é o dia-a-dia no único Atol do Atlântico Sul.

ATOL DAS ROCAS 2015

Nesta expedição contaremos com dois pesquisadores: Luciano Abel e Karoline Ferreira.

Luciano AbelLuciano é bacharel e licenciado em ciências biológicas e mestre em genética e evolução pela Universidade Federal de São Carlos. Possui aperfeiçoamento internacional na Hand Köll Institut (Alemanha) e na Dalhousie University (Canadá). Atuou profissionalmente no Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural e no Instituto de Física de São Carlos/USP. Atualmente trabalha com projetos de extensão universitária, divulgação científica e educação ambiental no Centro de Biologia Marinha (CEBIMar) da USP.

Karoline FerreiraKaroline é graduada em Ciências Biológicas pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora, com experiência em educação ambiental, manejo de animais marinhos e atuou em alimentação de tartarugas marinhas em Ubatuba, SP.

O trabalho com as tartarugas é realizado sempre de noite estendendo-se pela madrugada. No início, até a equipe se adaptar com todo o procedimento, foi difícil, mas conseguimos!

Após a primeira semana de trabalho muitas coisas aconteceram: ideias surgiram, experiências foram trocadas, os animais foram microchipados e, relembrando que, ainda estamos muito no começo na tentativa de ajudar os animais, mas sem dúvida creditamos que estamos no rumo certo.

….e só para lembrar nossa dupla de pesquisadores, Karoline e Luciano, já microchiparam mais de 10 tartarugas após a primeira semana de trabalho no Atol das Rocas!

Convidamos a todos a viajar conosco!

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» 2º DIÁRIO DE BORDO – De 14 a 20/02 – clique, leia e veja as fotos

Iniciamos a temporada 2016 de microchipagem de tartarugas marinhas na Reserva Biológica do Atol das Rocas, o único atol do Oceano Atlântico Sul.

Mas afinal, o que é um atol?

A maioria dos atóis, sobretudo os do Oceano Pacífico, são originados pelo crescimento de um anel de colônias de corais ao redor de uma ilha vulcânica. Posteriormente, o cume da ilha rebaixa-se devido a processos geológicos, ficando sob o nível do mar e originando uma laguna central profunda rodeada por recifes coralinos e ilhas arenosas: um atol!

Atol das Rocas

No caso do Atol das Rocas, o principal organismo formador dos recifes não são corais, mas sim algas calcárias. Além disso, sua laguna central é muito rasa, pois o topo aplainado da montanha submarina sobre o qual cresceram os recifes fica apenas a 20 metros abaixo da superfície e é recoberto por sedimentos.

Esta montanha eleva-se desde 3 mil metros de profundidade e faz parte de uma cadeia de montes submarinos próximos à costa litorânea brasileira.

Dentre esses montes, os únicos que irromperam à flor d’água foram o Atol das Rocas e o Arquipélago de Fernando de Noronha.

Aspecto da areia biogênica do Atol das RocasEntretanto, enquanto em Fernando de Noronha a parte emersa é composta basicamente das rochas vulcânicas originais, no Atol das Rocas o platô vulcânico está totalmente submerso e sustenta camadas de areia biogênica, isto é, cujos grãos são formados a partir de esqueletos calcários das próprias algas formadoras dos recifes, de conchas de moluscos, tubos de poliquetas, corais e foraminíferos.

Boa parte dessa areia acumulou-se no lado noroeste do atol, formando duas pequenas ilhas a aproximadamente 3 metros acima do nível do mar.

Durante a maré alta, somente as ilhas e grandes rochas que dão nome ao atol (de “rocas” em espanhol) ficam expostas, mas na maré baixa, além delas, também o anel recifal e uma parte da laguna central se projetam acima da linha d’água.

Apesar de ser um dos menores atóis do mundo (perímetro de 7 km), o Atol das Rocas possui grande importância na manutenção da biodiversidade marinha brasileira.

Atobás de pés vermelhos (Sula sula)É o principal local reprodutivo de aves marinhas do Oceano Atlântico Sul – estima-se que existam mais de 150 mil aves, entre residentes e migratórias. As residentes que nidificam no local são: atobá-mascarado (Sula dactylatra), atobá-marrom (Sula leucogaster), trinta-réis-do-manto-negro (Onychoprion fuscata), viuvinha-negra (Anous minutus) e viuvinha-marrom (Anous stolidus). As espécies residentes não nidificantes que utilizam o atol como ponto de alimentação são: atobá-do-pé-vermelho (Sula sula) e fragata (Fregata magnificens). Entre as espécies migratórias, destacam-se maçaricos e batuíras.

Sesuvium portulacastrum, planta resistente a salinidadeOutros animais terrestres são normalmente pequenos como os carrapatos (associados às aves) e outros que provavelmente foram introduzidos pelos humanos (aranhas, baratas, grilos, escorpiões, ratos, besouros e formigas).

A flora do local conta com algumas poucas espécies herbáceas que toleram alta salinidade e solo pobre em nutrientes, além dos coqueiros, que foram introduzidos.

A vida marinha apresenta-se em profusão, contando com várias espécies de algas, esponjas, cnidários (corais, anêmonas), poliquetas, moluscos (caramujos, polvos), crustáceos (lagostas, caranguejos), peixes (cirurgiões, donzelas, sargentos, budiões, xaréus, garoupas, tubarões). Há também, claro, tartarugas marinhas, mas essas serão assunto de um próximo diário de bordo.

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» 3º DIÁRIO DE BORDO – De 21 a 27/02 – clique, leia e veja as fotos

Um pouco da história do Atol

Apesar da pouca distância marítima entre o Atol das Rocas e o continente Sul-Americano (270 km de Natal-RN), esse conjunto recifal era pouco mencionado nas rústicas cartas náuticas do século XVI. Além disso, a conformação do atol, com rochas pouco maiores que a altura de uma pessoa, não facilita a visualização durante a navegação, e levou à ocorrência de frequentes naufrágios.

Restos de naufrágios e os faroisMesmo com a crescente menção ao atol nos documentos náuticos ao longo dos anos, o número de acidentes intensificou-se devido ao aumento da frota mercante entre a América do Sul e a Europa.

Vários naufrágios deixaram destroços que podem ser observados no platô recifal durante a maré baixa, como âncoras, correntes, mastros, pedaços do casco, partes de motores, cerâmica etc. A colisão com o recife de um navio abastecido com carvão mineral fez com que sua carga se espalhasse pelo atol, e ainda hoje podem ser vistos blocos do material pelas praias.

A morte de vários dos navegantes acabou dando origem ao nome de uma das duas ilhas, Ilha do Cemitério, pois lá eram enterrados os corpos das vítimas.

Na tentativa de facilitar a visualização do Atol das Rocas à distância, foram plantados coqueiros que provaram ser ineficientes para essa finalidade, de forma que uma série de naufrágios de grande porte, principalmente da esquadra inglesa, ocorreu ao longo do século XIX.

CoqueirosA ideia de implantação de um farol foi levada adiante e para o atol foram transportados os materiais que constituiriam o maior entre todos os farois instalados até então na costa brasileira. Após uma análise mais minuciosa, decidiu-se que este farol seria inviável, pois necessitaria de uma base mais robusta que a prevista. As pedras que seriam utilizadas para sua construção foram deixadas no local e podem ainda ser vistas na linha da maré.

Finalmente, em 1883 um farolete instalado às pressas começou a operar no Atol das Rocas, o qual além de orientar os navegantes, deu o nome atual à outra ilha, Ilha do Farol. Após o início do funcionamento do farolete, foi necessária a presença de um responsável pela manutenção do equipamento, o chamado faroleiro, que passou a residir no atol, juntamente com sua família, numa casa de pedra com cisterna adjacente.

Antiga base e a baía da lamaA experiência desses primeiros moradores fixos de Rocas foi inóspita, pois devido ao solo impróprio ao plantio e à inexistência de uma fonte de água doce no atol, eles dependiam do abastecimento provindo do continente – sem mencionar o isolamento e a solidão. O sofrimento dessas famílias findou-se em 1914, com o erguimento de um farol automático em treliça de ferro, substituído em 1935 por outro construído em alvenaria. Atualmente, opera um farol instalado em 1967; o antigo farol automático de alvenaria, bem como a casa do faroleiro, estão em ruínas, à mercê das ondas.

De qualquer forma, a sinalização do atol auxiliou na melhor navegabilidade nas águas do entorno, o quê, por sua vez, possibilitou a que mais e mais pescadores pudessem se aproximar e aproveitar da pesca farta. A abundância de peixes e lagostas atraiu a atenção do mercado pesqueiro, a ponto de uma empresa se instalar no local em 1937. O empreendimento não obteve êxito a longo prazo devido a não adaptação dos pescadores à vida num ambiente isolado e hostil e encerrou suas atividades dois anos depois. Apesar de não conseguir firmar uma iniciativa comercial fixa, o Atol das Rocas permaneceu por anos como ponto de pesca esporádico e profuso, porém sem regulamentação e controle.

As tartarugas marinhas, foco do nosso atual trabalho, foram ícone da desgovernança ambiental que ocorria em Rocas. Na segunda metade da década de 1970, estudantes de Oceanologia documentaram e expuseram à mídia e à sociedade a matança desses animais por pescadores que desembarcavam no atol. A divulgação desses episódios foi feita num momento propício para a criação de uma unidade de conservação, pois tomava corpo naquela época o movimento ambientalista no Brasil e a conjuntura política do governo militar considerava que as reservas eram parte da defesa territorial da nação.

Nova baseDessa forma, em 5 de junho de 1979 foi criada a Reserva Biológica do Atol das Rocas, a primeira unidade de conservação marinha do país. Uma Reserva Biológica (ReBio) é o tipo de unidade de conservação mais restritiva, limitando o seu uso apenas a pesquisas científicas. A ReBio do Atol das Rocas não se limita ao anel recifal, mas se alonga pela área oceânica até a isóbata de 1.000 metros. Atualmente é gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Nos primórdios da ReBio os pesquisadores se instalavam em barracas armadas na Ilha do Farol. Subsequentemente, em 1993 foi construída uma pequena casa de madeira na mesma ilha, seguida em 2008 por um novo abrigo com dois quartos, sala e laboratório, rodeados por varandas. Há energia solar para iluminação e aparelhos básicos: geladeira, rádio, computadores e aparatos de pesquisa. Recentemente foi instalada uma rede wireless de internet que permite melhor comunicação com o continente.

As equipes de pesquisadores (de até 5 pessoas) revezam-se mensalmente, conduzidas por veleiro em uma navegação que dura em média 22 horas a partir da capital potiguar. A embarcação transporta para o atol água potável, alimentação e outros itens de necessidade básica, e retorna ao continente com todo o lixo lá produzido. Além do trabalho de pesquisa de cada equipe, são feitas manutenções na base de modo a deixá-la adequada para as próximas expedições.

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» 4º DIÁRIO DE BORDO – De 28/02 a 05/03 – clique, leia e veja as fotos

A Reserva Biológica (ReBio) do Atol das Rocas é um dos locais do litoral brasileiro que primeiro ofereceu refúgio livre da predação humana às tartarugas marinhas. A própria criação da reserva foi fortemente influenciada pela necessidade de protegê-las.

Das 7 espécies de tartarugas marinhas, 5 habitam os mares brasileiros e duas ocorrem no atol e suas imediações: a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga-verde (Chelonia mydas). A primeira utiliza o local apenas como área de alimentação, enquanto a segunda nidifica nas ilhas.

Tartaruga-de-pente juvenilA tartaruga-verde é o foco do nosso trabalho. É a segunda maior espécie entre as tartarugas marinhas – até 140 centímetros de comprimento de carapaça e 160 kg -, perdendo apenas para a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Distribui-se em zonas tropicais e subtropicais próximas à costa e ao redor de ilhas, sendo raramente observadas em alto-mar. Suas áreas de forrageio são costeiras e com muita vegetação. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), é categorizada como ameaçada de extinção.

Os principais locais de desova da tartaruga-verde no Brasil são as ilhas oceânicas, além de pontos de nidificação ocasionais no continente. Na ReBio do Atol das Rocas, a temporada reprodutiva se inicia em novembro e vai até julho. De novembro a fevereiro ocorrem as cópulas, de janeiro a maio, as desovas e, finalmente, os nascimentos acontecem de março a julho.

BiometriaNosso trabalho consiste em realizar a biometria (medidas de partes específicas do corpo do animal) e inserir um microchip nas tartarugas, de modo que cada indivíduo possa ser identificado através de um código numérico, acessível por um leitor eletrônico. Entretanto, estes procedimentos são realizados somente com as fêmeas, pois ao depositarem seus ovos, sua atenção fica praticamente toda voltada para a postura, a ponto de elas quase não percebem o que ocorre ao seu redor, permitindo então que a metodologia seja realizada.

Devido ao fato do Atol das Rocas ser formado por um anel de recifes que impede as tartarugas de acessarem a praia durante a maré baixa, o primeiro passo para irmos de encontro a elas é saber os horários das marés altas noturnas, já que as desovas ocorrem somente à noite.

As ondas atingem as praias, possibilitando a chegada das tartarugas, de aproximadamente duas horas antes até duas horas após o pico da maré alta.

Durante esse período, as tartarugas sobem a praia e buscam um local protegido das ondas para nidificar. Fazemos então uma busca pelos rastros deixados por elas na areia, facilmente reconhecíveis porque se assemelham às marcas deixadas por um pneu de trator. Rastros feitos nas noites anteriores podem ser facilmente reconhecidos porque tendem a perder a definição ao longo dos dias, devido à ação do vento, da chuva e do rastejar dos caranguejos, ou ficarem marcados pelo nosso próprio pisoteio.

Ao detectarmos um rastro recente, o seguimos até que a tartaruga seja localizada – caso ela esteja saindo da água ou rastejando praia acima, evitamos a abordagem, uma vez que ela pode se assustar, abortar a postura e retornar ao mar.

Tartaruga fazendo a camaApós escolher o local que julga ser adequado para a nidificação, a tartaruga utiliza as nadadeiras dianteiras para abrir uma clareira ampla, um pouco maior que seu corpo, de aproximadamente 50 cm de profundidade, a chamada “cama”. Em seguida ela cava dentro da cama, com o auxílio das nadadeiras traseiras, o ninho propriamente dito: um buraco mais um menos cilíndrico, com aproximadamente 25 cm de diâmetro e outros 50 cm de profundidade.

Há casos em que a tartaruga rasteja por até algumas horas, adentrando à área de vegetação e aos ninhais de aves, e retorna ao mar sem ao menos escavar o ninho. Em outras situações, ela inicia a construção do ninho em locais diferentes, mas desiste de todos e volta ao mar.

Inserindo o chipDe qualquer forma, esperamos até a postura dos ovos – de 100 a 120, aproximadamente – para iniciarmos os procedimentos. Inicialmente, utilizamos o leitor de microchip para averiguar se a tartaruga já não tenha sido marcada anteriormente. Caso contrário, inserimos, com um aplicador de agulha, um microchip na nadadeira dianteira esquerda, diretamente no músculo tríceps, onde ele será encapsulado por tecido conjuntivo fibroso e não migrará a partir do ponto de inserção. Após checarmos a leitura do microchip inserido, partimos para as medidas de biometria: o comprimento e a largura curvilíneos da carapaça.

Até o momento já microchipamos 40 tartarugas-verdes, das quais 17 retornaram para nova desova depois de 11 a 14 dias – cada fêmea pode desovar até 6 vezes numa mesma temporada de reprodução, em locais diferentes. Como elas retornam a cada dois anos para se reproduzir, nos reencontraremos em 2018 com aquelas que microchipamos este ano.

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» 5º DIÁRIO DE BORDO – De 06/03 a 11/03 – clique, leia e veja as fotos

Durante as últimas décadas, vários esforços têm sido conduzidos ao redor do mundo visando a preservação de espécies de tartarugas marinhas. O trabalho de conscientização vem levando a que mais e mais pessoas deixem de abater as tartarugas por sua carne ou depredar os ninhos em busca dos ovos.

Apesar do sucesso dessas iniciativas, outras atividades antrópicas vêem impactando as populações de tartarugas marinhas, tais como pesca incidental por redes, degradação das áreas naturais de alimentação, veículos automotivos circulando pelas praias, urbanização das áreas de desova etc.

Lesão em tartaruga com possivel associação com embarcaçãoEm áreas costeiras onde há grande circulação de embarcações, são comuns colisões com as tartarugas, provocando ferimentos, usualmente graves – a parte posterior do casco é frequentemente atingida, pois fica exposta e se choca com a hélice do motor quando as tartarugas mergulham para tentar escapar.

De todos os problemas ambientais marinhos atuais, a maior problemática é a poluição por resíduos sólidos (lixo) e químicos. As grandes quantidades de poluentes lançados nos oceanos são levadas pelas correntes e atingem áreas bastante remotas. Na Reserva Biológica do Atol das Rocas não raramente são encontrados diversos materiais de origem humana como garrafas plásticas, calçados, boias e cabos de pesca, entre outros. Deste modo conseguimos imaginar a situação dos oceanos em áreas antrópicas.

Mas, essa é uma poluição que conseguimos visualizar! Existe uma outra poluição mais perigosa, silenciosa e essa não conseguimos visualizar… chamamos de poluição invisível. São elas: poluição por esgotos e compostos químicos (tanto orgânicos como os inorgânicos).Lixo encontrado no estômago da tartaruga

São esses compostos que iremos estudar nas tartarugas marinhas do Atol. Estudaremos contaminação por organoclorados e HPAs, que são compostos orgânicos, estudaremos também contaminação por metais pesados, que são compostos inorgânicos. Esses compostos podem influenciar no declínio populacional, além de causar severas patologias.

O que mais nos entristeceu esse mês foi o fato de aparecer uma tartaruga adulta morta na Rebio e seu estômago estar com lixo.

Deste modo, a equipe BW faz um pedido: cuide do seu lixo, recicle, fiscalize seu município para ter saneamento básico, não jogue seu lixo na rua, se você é fumante não jogue sua bituca de cigarro no chão.

São os pequenos gestos que fazem a diferença!!!

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» 6º DIÁRIO DE BORDO – De 12/03 a 19/03 – clique, leia e veja as fotos

PREDAÇÃO POR CARANGUEJOS

Nesta semana houve troca de equipe…Luciano voltou ao continente e foi substituído pela médica veterinária Carolina Jorge. Gostaríamos de deixar o nosso muito obrigada ao Luciano por toda a ajuda na ReBio Atol das Rocas.

A Carolina é formada em Medicina Veterinária pela UVV no ES e pós-graduada pelo Instituto Qualittas. Ela trabalha há 5 anos em projetos de monitoramento de praia. Atualmente é a medica veterinária do Promontar em Angra dos Reis. Seja bem vinda Carol. Enquanto isso, A Karoline Ferreira dobra a temporada para ajudar nos trabalhos de campo!

Nos últimos dias, aqui na Reserva Biológica do Atol das Rocas, enfrentamos algumas noites nubladas, com pancadas de chuvas, além das marés em seu maior pico. Esses fatores somados à predação por caranguejos e pela compactação, sobreposição e destruição dos ninhos causados pelas próprias tartarugas, aparentam diminuir a taxa de eclosão dos ovos.

Ninho com rastro de outra tartaruga por cimaA Ilha do Farol, que abriga a maior parte dos ninhos, não tem uma faixa de areia muito extensa, e muitas tartarugas acabam passando por cima de outros ninhos ao procurar um local adequado para nidificar. Isso leva à compactação dos ninhos mais antigos, o que dificulta os filhotes a subirem à superfície após a eclosão dos ovos. Muitos ninhos também são sobrepostos, havendo casos onde é possível ver os ovos de uma tartaruga anterior na areia enquanto a outra faz seu ninho.

Apesar das circunstâncias, após abrirmos alguns ninhos já antigos para verificarmos a presença de natimortos e fazer a contagem dos ovos a partir das cascas, ficamos felizes ao ver uma significativa taxa de eclosão nos ninhos, com a presença de poucos ovos gorados e nenhum filhote natimorto.Monitoramento dos ninhos

Com isso, observamos, que aqui na ReBio Atol das Rocas, o que leva ao controle populacional das tartarugas, são os fenômenos naturais, não ocorrendo qualquer alteração humana como observados em locais de nidificação no continente.

Continuaremos o nosso trabalho de monitoramento das desovas e dos nascimentos… Até agora mais de 50 tartarugas foram microchipadas e muitas estão voltando para desovar…!

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» 7º DIÁRIO DE BORDO – De 20/03 a 26/03 – clique, leia e veja as fotos

Aproveitando o clima da páscoa, falaremos no nosso sétimo diário de bordo, um pouco sobre os ninhos e ovos das tartarugas-verdes (Chelonia mydas) aqui do Atol das Rocas.

Como já dissemos em outro diário de bordo, ao sair do mar para encontrar um local para nidificar, a tartaruga deixa um rastro bem parecido com o de um pneu de um trator, o que nos direciona ao seu encontro, onde podemos acompanhar um momento incrível, que é sua desova.

Tartaruga “fazendo a cama”Após a tartaruga encontrar um local que julga adequado para a desova, ela inicia um movimento com as nadadeiras anteriores para formar uma “cama” medindo cerca de 2 metros de diâmetro, antes de iniciar a confecção do ninho propriamente dito. Muitas camas podem ser construídas até que a tartaruga marinha decida qual é a mais apropriada para ela fazer seu ninho. No dia 23 desse mês, ao fazer nosso monitoramento noturno encontramos 5 camas feitas sem que houvesse desova.

Depois de feita a cama, a tartaruga passa a realizar movimentos parecidos com uma pá, com as nadadeiras posteriores, a fim de fazer o ninho em formato semelhante a uma pêra, com cerca de meio metro de profundidade. Apesar de todo esse esforço, também já observamos ninhos abandonados sem que a tartaruga desovasse.

Quando finalmente desovam, as tartarugas botam em média 120 ovos de formato esférico, com a casca flexível, recobertos por um muco que protege os ovos a não se quebrarem quando caem no ninho.

A partir de então, os ovos ficam encubados nos ninhos por um período que varia de 45 a 60 dias, quando finalmente os filhotes nascem.

A variação entre o sexo dos filhotes depende da temperatura dos ninhos, quando o ninho recebe mais calor a probabilidade de ter mais fêmeas é maior e vice-versa.

Alguns ovos não se desenvolvem e os chamamos de “gorados”. Esses ovos são importantes matrizes de estudo, principalmente para contaminantes ambientais. Neles podemos verificar, por exemplo, se algum contaminante passou da mãe para o filhotes!

Atualmente no atol, estamos na expectativa do nascimento de muitas tartaruguinhas, mas isso será um próximo diário de bordo!

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» 8º DIÁRIO DE BORDO – De 27/03 a 03/04 – clique, leia e veja as fotos

Filhotes de Tartarugas marinhas.

Como comentamos no diário anterior, após 45 – 60 dias de incubação, finalmente os filhotes eclodem do ovo, e após um período de 3 a 4 dias todos juntos, numa única missão, começam a procurar a saída do ninho. Assim, com toda movimentação conjunta dos filhotes, a areia vai descendo e os filhotes conseguem emergir à superfície da praia. Os filhotes saem do ninho ao anoitecer e se orientam pela luz da lua ou do horizonte e seguem rumo ao mar. Eles possuem ainda o vitelo, o que permitem ficar alguns dias sem se alimentarem.

Filhote de Tartaruga marinha.Mas, em grandes centros urbanos onde há desovas de tartarugas marinhas, a luz artificial da praia desorienta totalmente os filhotes e os mesmos acabam indo em direção ao ponto de luz mais forte ao invés de irem para o mar. Com isso, o dia nasce e muitos filhotes são encontrados e acabam morrendo desidratados pelo sol e/ou ficando mais expostos à ação dos predadores naturais.

No Atol das Rocas, sabemos que apenas a tartaruga-verde (Chelonia mydas) desova. Seus filhotes se destacam das demais espécies, pela coloração branca do plastrão (barriga). Eles medem aproximadamente 5 – 6 centímetros, enquanto os adultos ultrapassam 1,0 metro de comprimento. Alguns filhotes e ovos não se desenvolvem e por isso serão utilizados por nós para estudos de contaminação química. Dizem que um a cada 1000 filhotes chegam a fase adulta.

No final da expedição de Carolina e Karoline, elas foram agraciadas pelo nascimento de filhotes praticamente véspera da troca de equipe!

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» 9º DIÁRIO DE BORDO – De 04/04 a 10/04 – clique, leia e veja as fotos

Troca de equipe.

Mariana Burato e Lorena GallettiNesta fase final da expedição, a última dupla chegou ao Atol para fazer o monitoramento das tartarugas marinhas. Lorena Galletti e Mariana Burato já estão realizando a microchipagem a todo vapor.

A Lorena é oceanógrafa formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (2007) e mestre em Ciências Marinhas Tropicais pela Universidade Federal do Ceará (2010). Ela desenvolveu pesquisas com foco na interação entre organismos marinhos e parâmetros ambientais, bem como manejo e conservação de recursos pesqueiros marinhos. Realiza serviços de licenciamento e monitoramento ambiental marinho de plataformas de petróleo, com destaque para o Projeto de Monitoramento de Praias das bacias do Espírito Santo e norte da bacia de Campos, cujo escopo inclui o resgate, a reabilitação e a necropsia de quelônios, aves e mamíferos marinhos.

Postura de ovosA Mariana é graduada em Ciências Biológicas (Licen-Bacharel-2015) pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Possui experiência como Bióloga, principalmente na área de Biologia Marinha desde 2015, atuando como educadora ambiental, em monitoramento de praia, área de reprodução de tartarugas marinhas e reabilitação de tartarugas marinhas. Atualmente é bióloga responsável pelos cursos oferecidos na empresa BW Consultoria Veterinária.

Uma curiosidade desta temporada foi o baixo número de fêmeas adultas encontradas em comparação com a temporada anterior… menos que a metade! Não sabemos exatamente quantas fêmeas fazem a desova na ReBio Atol das Rocas. Acreditamos que teremos um melhor direcionamento a partir do ano que vem, quando possivelmente as fêmeas da temporada passada voltem para desovar!

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» 10º DIÁRIO DE BORDO – De 11/04 a 06/05 – clique, leia e veja as fotos

Marcação com o microchipDesde quando desembarcamos no Atol das Rocas percebemos que quem dá as ordens por aqui é a natureza! Não temos alternativa senão nos submeter às variações do mar e dos ventos, às fases da lua, às grandes ondas e às calmarias. Uma rotina rígida e inegociável à qual se contrapõe uma beleza extraordinária. É nesse cenário de contrastes que o trabalho de microchipagem de quelônios marinhos é realizado pelos pesquisadores que escolheram se dedicar ao Atol das Rocas.

Este diário de bordo convida a todos para um rápido embarque na nossa rotina de trabalho; em poucas linhas, o leitor terá uma noção dos esforços empreendidos pelas equipes de pesquisadores, na incansável busca pelo conhecimento sobre as tartarugas marinhas.

Agora são oito da noite. O próximo pico de maré alta será as duas e trinta da manhã. Já é hora de checar todo material de campo (TAG, microchip, seringas, luvas, pranchetas, lanterna, capa de chuva, e demais equipamentos), comer algo e ir descansar, pois o trabalho de campo terá início por volta de uma da manhã. É assim todos os dias: acompanhamos pela tábua de marés os picos de marés altas que ocorrem durante o período noturno e saímos cerca de uma hora e meia antes do estofo da maré. Antes de sair da Estação (alojamento que dá apoio às atividades da REBIO Atol das Rocas), ainda é preciso checar as condições do tempo (vento, chuvas, ondas) para que as atividades sejam realizadas com plena segurança.

Aqui, o tempo muda num piscar de olhos, logo todo cuidado é pouco, afinal estamos a 260 quilômetros do continente mais próximo!

BiometriaNossas atividades se concentram na Ilha do Farol, a qual possui 800 m de comprimento por 300 m de largura máxima, sendo assim trinta minutos de caminhada é tempo suficiente para circundá-la por completo. Mas, não se enganem! Esta é a segunda maior área de desova de tartarugas verdes do país, portanto os trabalhos podem durar mais de quatro horas dependendo do número de tartarugas flagradas na mesma noite.

As tartarugas marinhas fêmeas, da espécie Chelonia mydas, saem da água e depositam seus ovos, durante a noite e com a maré alta. E é no momento que flagramos uma ocorrência que entramos em ação! Uma vez avistadas, nossa aproximação ocorre após o início da desova, caso contrário, os animais podem se assustar e retornar ao mar. O próximo passo é confirmar se a tartaruga já possui um microchip aproximando o TAG (leitor) na nadadeira anterior esquerda – caso não possua, inserimos o microchip conforme procedimento padrão estabelecido; caso possua, anotamos o número que aparece no leitor na prancheta de campo, bem como outras informações pertinentes observadas.

Nascimento de filhotesNossa equipe chegou ao Atol das Rocas em abril/16, período que as desovas de “novas” tartarugas (sem microchip) já está em declínio. Mas, o registro do retorno dos animais microchipados é peça fundamental da pesquisa, sendo importante confirmar se a tartaruga desovou ou não, e não apenas conferir se a mesma possui o microchip.

Por outro lado, estamos no período de nascimento dos filhotes. A espécie Chelonia mydas é a única que possui a “barriguinha” branca, tornando seus filhotes ainda mais fofos. Mas, para que toda essas fofuras sobrevivam, precisam enfrentar um amplo leque de predadores naturais entre aves (o Atol abriga cerca de 150.000 aves marinhas voadoras), caranguejos (principalmente espécies endêmicas como Johngarthia lagostoma e Grapsus grapsus), polvos e peixes. É um desafio e tanto!

Bom, agora são quatro da manhã e a maré já está bem seca. As tartarugas marinhas já voltaram para o mar e é hora de voltarmos para casa também.

Amanhã começa tudo de novo! Até!

 

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Este projeto é uma iniciativa da BW Consultoria Veterinária e REBio Atol das Rocas/ICMBio/MMA, conta com o patrocínio da IGUI Piscinas e GÓRSKI Integradora e possui licença SISBio nº40636-2.

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ATOL DAS ROCAS 2015